quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Depois das Eleições...



    Acabou o período eleitoral, e eis em cada canto do país os novos, ou antigos, titulares do poder.
    Durante todo o pleito, os políticos entraram em nossas casas, através da mídia, e falaram sobre o futuro, sobre o que farão para melhorar nosso dia a dia, ou o que proporcionarão para nossos idosos, nossos filhos enfim a todos em geral.
    Queremos realmente acreditar, queremos sonhar, e ver nossos sonhos realizados. Queremos que os políticos cumpram suas promessas, mas acho que o que queremos mesmo é que cumpram só um pouco do que disseram, um pouquinho apenas já seria o bastante.
    Conhecemos as necessidades das nossas cidades, e, sem dúvida sabemos o que estamos precisando para viver melhor.
    Ninguem quer aqui fazer melodrama, mas via de regra nos encontramos sozinhos no trânsito em meio a insegurânça e o caos, enquanto "eles" desfilam cercados de "puxa-sacos", em carros oficiais com todo o conforto e segurânça. Aguardamos horas intermináveis em postos de saúde ou pronto-socorros, enquanto nossos escolhidos possuem a regalia de atendimento especial em planos de saúde com quartos privativos, sem qualquer custo para seus já muito bem renumerados bolsos, visto que nós pagamos a conta, e isso tudo sem falar em educação, cultura, saneamento, transporte, ruas, e tudo o mais que diz respeito diretamente ao lugar em que moramos.
    Não estou dizendo com isso que nossos políticos não devem desfrutar das mordomias que o cargo lhes confere, mas o tempo e as sucessivas eleições que passaram deixaram claro que logo após a vitória, e consequentemente a posse dos almejados cargos, o discurso muda e as prioridades já não são tão voltadas para povo, que por direito deveria ser o alvo e o objetivo maior de todas as ações do poder.
    Eis aí o cerne do problema, o poder.
    Na política via de regra o poder corrompe e faz esquecer promessas e responsabilidades assumidas, tornando homens que no auge de suas campanhas diziam-se limpos e justos, em sujeitos sem caráter, sem palavra, sem dignidade.
    Mas, sinto a esta altura, a necessidade de fazer um "mea culpa" por não conseguir livrar-me do sentimento de que essas pessoas, que agem assim, sequer são culpadas de seus atos, sendo o povo - e aqui me incluo - o maior responsável por existirem políticos sem ética e honra.
    A pergunta que me faço a cada pleito eleitoral é: Porque não analisar quem está se oferecendo para eleger-mos?  Quem são realmente essas pessoas por detrás da propaganda elaborada por marqueteiros profissionais?  O que já fizeram?  Como viveram suas vidas até hoje?  Se é que trabalham, em que trabalham?  E suas relações familiares?  Na verdade, o que fizeram até hoje para que sejam reconhecidos como pessoas aptas a governar nossa cidade e nossas vidas?
    Nada pode ser cobrado à ninguem se fizermos as escolhas erradas. Teremos o saldo da decepção como companheira e da culpa como castigo. Tudo por não sabermos votar.
    É preciso recordar que a seriedade, a honra e a ética na vida particular de cada um não pode ser diferente dos mesmos valores na vida política, pois seria muita ingenuidade achar que alguém com passado turvo e ações duvidosas iria tornar-se honrado e justo, por um passe de mágica, apenas por assumir determinado cargo político. Como diz o ditado popular, seria deixar o ladrão tomando conta do cofre.
    Quando soubermos escolher melhores pessoas, teremos melhores políticos, e aí, somente aí, talvez possamos dar adeus aos Mensalões, Cachoeiras, Dirceus, Delúbios, Malufs, enfim, a nível de Brasil a lista é imensa.



Texo: AnalfaBlog
Comentários: AnalfaBlog 

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