
'Forças poderosas influenciam Conselho de Ética'
Em entrevista a Terra Magazine, o senador Jefferson Peres (PDT-AM) já disse que o Senado está desmoralizado. Hoje, é a vez de Renato Casagrande (PSB-ES), o "quase-relator" do caso Renan Calheiros (PMDB-AL), ir além:
- O Senado está em processo de mais do que desmoralização. Porque a credibilidade do Senado já é muito baixa.
O País já assistiu a uma relatoria-relâmpago na investigação sobre a origem dos rendimentos do presidente do Senado. Foi a de Wellington Salgado (PMDB-MG), que deixou o cargo menos de 24 horas depois de ser nomeado. Alegou que o que estavam fazendo no Conselho não condizia com seus princípios - isso porque queria votar o relatório que pedia o arquivamento do caso e o Conselho, pressionado pela oposição, adiou a data.
Agora, o País assiste a uma quase-relatoria-relâmpago. O senador capixaba Casagrande foi convidado pelo novo presidente, Leomar Quintanilha (PMDB-TO) - que assumiu depois da renúncia de Sibá Machado (PT-AC) - para ocupar a relatoria. Depois, por algum motivo que o próprio senador desconhece, foi "desconvidado", em público.
- Está claro que existem forças poderosas interferindo, seja na conduta do presidente (do Conselho) ou dos relatores. E essa interferência acaba criando instabilidade.
Casagrande não se arrisca a dizer quem estaria exercendo essa "força poderosa". Mas sabe que ela vem prejudicando o andamento dos trabalhos do Conselho de Ética, que, agora, ganha mais um personagem: Joaquim Roriz (PMDB-DF), flagrado em uma conversa telefônica negociando a partilha de de R$ 2 milhões no escritório do amigo Nenê Constantino, pai do dono da Gol.
- O Senado está em processo de mais do que desmoralização. Porque a credibilidade do Senado já é muito baixa.
O País já assistiu a uma relatoria-relâmpago na investigação sobre a origem dos rendimentos do presidente do Senado. Foi a de Wellington Salgado (PMDB-MG), que deixou o cargo menos de 24 horas depois de ser nomeado. Alegou que o que estavam fazendo no Conselho não condizia com seus princípios - isso porque queria votar o relatório que pedia o arquivamento do caso e o Conselho, pressionado pela oposição, adiou a data.
Agora, o País assiste a uma quase-relatoria-relâmpago. O senador capixaba Casagrande foi convidado pelo novo presidente, Leomar Quintanilha (PMDB-TO) - que assumiu depois da renúncia de Sibá Machado (PT-AC) - para ocupar a relatoria. Depois, por algum motivo que o próprio senador desconhece, foi "desconvidado", em público.
- Está claro que existem forças poderosas interferindo, seja na conduta do presidente (do Conselho) ou dos relatores. E essa interferência acaba criando instabilidade.
Casagrande não se arrisca a dizer quem estaria exercendo essa "força poderosa". Mas sabe que ela vem prejudicando o andamento dos trabalhos do Conselho de Ética, que, agora, ganha mais um personagem: Joaquim Roriz (PMDB-DF), flagrado em uma conversa telefônica negociando a partilha de de R$ 2 milhões no escritório do amigo Nenê Constantino, pai do dono da Gol.
Leia a íntegra da conversa com o senador Renato Casagrande:
Terra Magazine - Esse último episódio, do convite e do "desconvite" prova a teoria do senador Jefferson Peres (PDT-AM), por exemplo, de que a Casa está em processo de desmoralização?Renato Casagrande - O Senado está em processo de mais do que desmoralização. Porque a credibilidade do Senado já é muito baixa. Quando uma instituição não consegue responder a sua crise, perde o sentido para a opinião pública, para a população. E o Senado hoje é o Conselho de Ética e, depois de 1 mês e 10 dias, ele não consegue dar dinâmica à investigação do caso Renan Calheiros, e agora chega mais uma investigação, do caso Joaquim Roriz. Não se consegue dar dinâmica nem estabelecer resultados nesses casos. E quando você não consegue responder a crise, você perde a credibilidade com a opinião pública.
Terra Magazine - Falta muita vontade, ou pelo menos existe um interesse de que falte vontade para conduzir a investigação. Por que a imprensa consegue ir aos açougues de Alagoas, por exemplo, e o Senado não?
Terra Magazine - Falta muita vontade, ou pelo menos existe um interesse de que falte vontade para conduzir a investigação. Por que a imprensa consegue ir aos açougues de Alagoas, por exemplo, e o Senado não?
Renato Casagrande -Eu acho que os senadores não precisam ir aos açougues de Alagoas. Eles têm é que fazer diligências para a Polícia Federal e outros órgãos irem. Mas não consegue por isso, porque o Conselho paralisou e está engessado pela disputa interna no Conselho e por essas interferências externas, que fizeram com que criasse tanta instabilidade no Conselho, como tivemos nesses últimos dias. A saída de um relator, a renúncia do presidente... quando achávamos que tudo ia voltar ao normal com a escolha de um presidente e de um relator novo, não é bem assim, porque logo depois da eleição do presidente foi o dia de maior instabilidade no Conselho. Então essas interferências externas têm promovido uma paralisia no Conselho de Ética.
Terra Magazine -De onde vêm essas interferências externas?
Terra Magazine -De onde vêm essas interferências externas?
Renato Casagrande -Olha, como são interferências que não têm articulações explícitas, nós não podemos acusar quem faz. Mas com certeza, as pessoas que têm ligação com o presidente Renan Calheiros estão adotando uma tática de um quadro ideal que possa favorecer o presidente. E isso tem ajudado a travar o Conselho. As pessoas têm que compreender, até quem é amigo e está nessa cooperação com o presidente, que o único jeito de ajudá-lo é fazer a investigação.
Terra Magazine - Houve participação do presidente Renan Calheiros nesse episódio do "desconvite"?
Terra Magazine - Houve participação do presidente Renan Calheiros nesse episódio do "desconvite"?
Renato Casagrande -Não sei se houve, não posso afirmar. Nada foi conversado comigo sobre isso. Mas está claro que existem forças poderosas interferindo, seja na conduta do presidente ou dos relatores. E essa interferência acaba criando instabilidade.
Terra Magazine -Se houver um novo convite para assumir a relatoria desse caso, o senhor aceita?
Terra Magazine -Se houver um novo convite para assumir a relatoria desse caso, o senhor aceita?
Renato Casagrande -Vamos avaliar. Eu preciso avaliar as condições políticas no Conselho, porque agora o presidente (Leomar Quintanilha, do PMDB-TO) também está sofrendo um problema (há um processo contra ele no Supremo Tribunal Federal). Então eu tenho que avaliar as condições políticas, a resposta que o presidente solicitou à Assessoria Legislativa. Eu só posso responder isso no início da semana que vem. E eu não vou responder coisa que não existe. Como não tem um convite formal, eu também não posso nem responder.
Analfablog - Bom, achei que era válido reproduzir essa entrevista no meu blog, pelo seu conteúdo, que nos faz um retrato absurdamente claro do caos em que vivemos enquanto passivamente aguardamos que as coisas se resolvam por si mesmas. Pois é, essa é a quadrilha (e não estou me referindo à um estilo de dança popular) que foi ao longo dos anos tomando conta, preenchendo todos os espaços, infectando todas as células, de todas as instituições e finalmente logrando alcançar o miolo da maçã. Resta a pergunta: E quando totalmente podre, a fruta chamada Brasil, nada mais puder oferecer, o que vão esses mal acostumados e famintos senhores fazer ? A quem vão atribuir as culpas ? O Judiciário, com seus empoados e quase semi-deuses juíses ou ministros do supremo dirá... A culpa é toda do executivo, gastador, perdulário e impotente em suas funções... O Executivo em sua defesa grita: A culpa toda é do legislativo com seu congresso e senado inchados de corrupção e roubalheiras... Ao que o legislativo, a chamada " casa do povo " refuta: O culpado de tudo é o judiciário, com seus juízes ladrões e suas sentenças vendidas, habeas-córpus preventivos e liminares mal intencionadas. Bom e assim termina o capítulo de hoje da novela nossa de todos os dias - Os príncipes e a maçã - amanhã capítulo inédito não percam. Boa noite espectadores de todo o brasil.
Fonte Terra Magazine - Comentários AnalfaBlog.

