segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Severino Cavalcanti é eleito!


Severino Cavalcanti é eleito em João Alfredo (PE). Três anos após renunciar ao mandato para não ser cassado, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Severino Cavalcanti (PP) foi eleito hoje prefeito de João Alfredo (PE), com 8.632 votos (52,31%) dos válidos. Seu adversário Sebastião dos Santos (PSDB) teve 7.869 votos (47,69% dos válidos).
Saiba quem é Severino Cavalcanti, que prometia elevar salário dos deputados:
Em três mandatos consecutivos, o pernambucano Severino José Cavalcanti Ferreira (PP), 74, construiu sua candidatura à presidência da Câmara com a promessa de elevar salários e de melhorar as condições financeiras de atuação dos colegas deputados.
Com forte apelo no chamado baixo clero, o deputado pernambucano fez parte da mesa diretora da Câmara durante oito anos -- mesmo período em que tentava a presidência da Casa.
A História...
Cavalcanti ficou conhecido na Câmara por lançar sua candidatura independente em outras duas ocasiões. Apesar da candidatura, o deputado sempre acabava entrando em acordo com os demais candidatos e desistia da disputa. Pelo acordo, ele apresentava a sua desistência e, em contrapartida, recebia um outro cargo na mesa. Dessa vez, porém, Cavalcanti preferiu pagar para ver e foi até o fim com sua candidatura.
As candidaturas...
Severino Cavalcanti foi prefeito de João Alfredo, sua cidade natal, de 1964-1966, pela UDN (União Democrática Nacional), partido que liderou a oposição a Getúlio Vargas quando o presidente ainda era vivo --morreu em agosto de 1954.Hoje no PP, Cavalcanti passou por diversos partidos após sua estréia pela UDN. Em 1966, entrou para a Arena (Aliança Renovadora Nacional), o partido de sustentação da ditadura militar. Em 1980, foi para o PDS e, em 1987, para o PDC (Partido Democrata Cristão), onde permaneceu até 1990, quando entrou no PL (Partido Liberal). Ficou pouco no PL, apenas até 1992, quando foi para o PPR. Em 1994, transferiu-se para o PFL e no ano seguinte, para o PPB, onde permaneceu até 2003, quando o partido mudou o nome para PP.
A Polêmica...
Foi o autor da denúncia que levou o governo militar a expulsar do país o padre italiano Vito Miracapillo, em 31 de outubro de 1980.Cavalcanti liderou o movimento contra o religioso porque ele se recusou a celebrar uma missa comemorativa à Independência. Miracapillo alegou que o país ainda não havia efetivamente conquistado a sua independência.Ligado à ala progressista da Igreja Católica, o padre, que vivia no Brasil desde 1975, atuava em Ribeirão (a 100 km de Recife, PE), município localizado na Zona da Mata, uma das áreas de influência do deputado Severino Cavalcanti, à época.
O parlamentar formalizou a denúncia ao então ministro da Justiça, Ibrahim Abi Ackel, e, pouco mais de um mês depois, no dia 15 de outubro, o presidente da República, general João Baptista Figueiredo, assinou a expulsão.O instrumento legal usado para banir Miracapillo do país foi o Estatuto do Estrangeiro, que havia sido recentemente aprovado e que proíbe os estrangeiros admitidos no Brasil de exercer atividade de natureza política ("a mesma lei foi utilizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar banir do país o jornalista americano Larry Rohter, no ano passado").
O decreto de expulsão de Miracapillo foi revogado em março de 1993 pelo presidente Itamar Franco, mas o padre -- que hoje, aos 60 anos, vive na Itália --ainda não pode morar no Brasil porque aguarda a anistia.A expulsão de Miracapillo teve repercussão internacional, mas em nenhum momento o parlamentar, na época filiado ao PDS, mostrou arrependimento. Ele justificou seu ato afirmando que o padre estava desagregando os moradores de Ribeirão.
Segundo afirmação sua, os 8.632 votos recebidos (mais ou menos 1/3 dos votos de um simples vereador de qualquer capital do pais) seriam a sua absolvição de todas as acusações que lhe foram impostas e o caso escabroso do "mensalinho" (lembram do restaurante da câmara) é apenas coisa do passado!
Bom, seria um alívio para toda a nação quando certos políticos também virassem coisas do passado, ou não?

ENTENDA PORQUE A CRISE É GLOBAL!



Você continua sem entender o que está acontecendo no mundo ou ainda nem se deu conta que estamos passando por uma crise mundial? Como afirmado por Armínio Fraga (ex-presidente do Banco Central) e Luiz César Fernandes (fundador do Banco Pactual), estamos vivendo uma crise sistêmica. Não há o que fazer que nos livre deste momento. Todos vão sentir no bolso - quem tem muito dinheiro, quem tem pouco dinheiro, quem está no Brasil, quem está em qualquer outra parte do mundo, inclusive, e principalmente, os americanos.
Empresas de crédito imobiliário como Fannie Mae e Freddie Mac cediam empréstimos hipotecários às famílias que vivem nos Estados Unidos, bons pagadores e maus pagadores, sem distinção. Esses empréstimos eram securitizados, ou seja, eram "empacotados" e vendidos em forma de títulos para os investidores. Os investidores eram instituições de renome como Bear Stears, Washington Mutual, Lehman Brothers, AIG, Merrill Lynch e Wachovia. Isso sem mencionar pequenos investidores e as instituições européias, porque a lista é grande.
Com a queda dos preços dos imóveis nos Estados Unidos, que começou em 2007, as famílias não conseguiram mais pagar suas prestações. Fannie Mae e Freddie Mac assumiram, então, no início de agosto, prejuízos de bilhões de dólares. Aqueles títulos "empacotados" passaram a não valer nada. Perdem os investidores, perdem as empresas de crédito imobiliário, perdem as famílias.
Efeito dominó. O pior é que não pára por aí. Esses investidores têm investimentos em outros lugares do mundo, como, por exemplo, em ações brasileiras. Mas, na necessidade, começam a resgatar e vender tudo o que não é de casa. Esse movimento faz o preço das ações despencarem. A irracionalidade toma conta. Perde-se a confiança no sistema. Essa crise afeta o lado real da economia. O impacto na renda e no emprego será inevitável.
Recessão ou apenas desaceleração econômica? Não sei, ainda não dá para dizer. A história não acabou. O governo americano ensaiou uma ajuda ao mercado financeiro de US$ 700 bilhões, mas o congresso rejeitou. Os congressistas não querem desagradar os eleitores a essa altura do campeonato. O dólar em alta afeta os balanços das empresas porque aumenta as despesas financeiras e ainda pode gerar alta maior de preços no curto prazo, aumentando a preocupação com a inflação. Nenhuma economia moderna pode sobreviver sem o sistema financeiro. Famílias e empresas precisam de crédito, mas a hora é de pôr ordem na casa.
Não tem nada que possamos fazer neste momento. Mas o que será do futuro? Quem faz a lição de casa não tem o que temer. Não faça dívidas, não acredite em ganhos extraordinários. O que vem fácil é frágil, vai fácil.
Isso me faz pensar num pronunciamento recente do nosso Presidente ao ser abordado por jornalistas, e questionado sobre o assunto. Numa atitude no mínimo impensada, própria de quem está deveras acostumado a fazer do improviso dos palanques sua trajetória pública, respondeu que o Brasil "Fez o seu dever de casa" e por isso estava vacinado contra crises financeiras que vinham "de fora" e essa iria passsar ao largo sem maiores danos! Disse ainda que a crise foi gerada pelos norte americanos e que os donos da culpa devem ficar com ela! Pois è... fazer o quê?
Reportagem: Sandra Blanco
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