O Brasil é um país dividido por gritantes e tristemente imensas desigualdades no campo do social.
Nossa população é, na sua grande maioria, composta por cidadãos sem rosto, nome ou mesmo existência formal perante o estado, em outras palavras não existem.
São tratados sem o indispensável individualismo, direito necessário para o cidadão tornar-se único enquanto é parte do todo.
Mas de tempos em tempos, no momento do voto, são prontamente reconhecidos e subitamente importantes.
Como pode ser isso? Simples: Os que dependem desse gado sem nome ou voz para tornar real seus anseios políticos, há muito encontraram a solução perfeita para cooptá-los: Distribuem dinheiro dando-lhe o nome de bolsa isso ou aquilo, impingindo ao ato um pseudo caráter "social" disfarçando assim o codinome "esmola".
Com o cargo e o poder garantidos através do "social", corre ao léu os desejáveis investimentos em saúde, segurança, economia, transporte etc... uma vez que quem os utiliza são os inexistentes sem rosto ou cidadania, e que agora pagam um alto preço pelo descaso governamental que ajudaram a construir.
A educação pública brasileira era, no século passado, um referencial de qualidade e que se perdeu no instante em que a classe mais abastada começou a migrar para o ensino privado.
Esse contingente imenso composto por invisíveis sem rosto ou vez (frente ao poder público) é parte de uma sociedade extremamente injusta que causa-lhe sofrimentos e penúrias incompatíveis com o potencial do país.
A lastima é que a maioria de nós só se dá por conta disso quando alguém desse exército, composto por pessoas embrutecidas pelo descaso, vem cobrar sua parte da riqueza nacional muitas vezes valendo-se do ensurdecedor e quase sempre mortal estampido de uma arma.
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