quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Pesquisas eleitoreiras

                A vantagem da candidata do PT à presidência da república, em relação a seus adversários conforme pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira, 22 era de 51% contra 42% de todos os outros somados, etc....
         A pesquisa contratada pelo jornal folha de São Paulo e pela Rede Globo, foi realizada nos dias 21 e 22, em 444 municípios de todo o país, com 12,294 eleitores. O levantamento está registrado no TSE sob o No.31.330/2010, e a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, etc...
         Enquanto estava navegando em busca de matérias ou fatos novos para alimentar um cérebro que se recusa a ficar inativo, dei de cara com a reportagem acima, publicada on-line no Jornal BondeNews do Paraná, e pus-me a ponderar:
              Como é possível..., como pode ?
             Como pode..., mesmo nos tempos atuais, as pessoas ainda acreditarem e até mesmo deixarem suas escolhas serem influenciadas por... pesquisas.
            Como pode..., a preguiça mental se sobrepor a razão em um momento tão decisivo como as eleições?
          Como pode..., acontecer de criaturas que se dizem alfabetizadas e até mesmo as que se tem como cultas e bem informadas, frequentarem rodas de discussão em todo o País para comentarem as posições dos candidatos na nova divulgação das "Pesquisas".
           Como pode..., jornalistas de renome e (acredito eu) credibilidade citarem em suas matérias as pesquisas de "intenção de voto" como pré-release determinante do rumo final de uma eleição.
          É absurdo mas neste pleito parece existir um mêdo velado, um receio escondido, uma conivência negociada entre os  meios de comunicação e poderosos do poder para que tudo funcione conforme combinado ou então...
          Acham absurdas as colocações acima?  Estarei sofrendo de uma síndrome de perseguição por extraterrestres?  Em suma endoidei ?
           Bem, então vamos aos fatos:
         Para qualquer um que possua duzia e meia de neurônios e, é claro, se decida a usa-los sugiro o seguinte cálculo:
         Qual a extensão territorial do Brasil?
         Quantos municípios possui nosso país?
         Qual o número efetivo da população votante?
      Paremos por enquanto, mesmo porque isso vai nos mostrar números impressionantes.
          E aí a coisa
simples  começa a ficar complicada . 
        Para desmascarar a pesquisa acima, assim como as outras que porverntura se seguirem, a matemática se faz necessária:
       Vejamos: 

       Segundo a reportagem do BondNews, em 444 municípios de todo o país foram ouvidos 12,294 eleitores, isso nos dá 27,69 eleitores por cidade visitada.
       
Considerando municípios pequenos com no mínimo 50.000 habitantes, a pesquisa nos afirma categoricamente que ouvindo 27 pessoas do total de 50.000 que moram e vivem em determinada cidade, o(a) candidato(a) fulano(a) de tal tem a preferência do eleitorado e a também maioria de votos para este pleito, com mais ou menos 2% de margem de erro.
          Mesmo se o número total de 12,294 eleitores  ouvidos pela pesquisa fossem de uma única cidade, ainda assim não teríamos uma base 100% confiável para qualquer afirmação de vantagem deste ou daquele candidato, quanto mais afirmarmos que 27 pessoas por município determinam o rumo de uma eleição. 

         Isso é uma afronta ao raciocínio.
    Sem falar que a pesquisa, "agora devidamente desmascarada", pode ser efetuada em reduto eleitoral de fulano ou fulana de tal, e aí surgem as famosas pesquisas encomendadas, que carregam em seu bojo a clara intenção de colocar um candidato em vantagem sobre outro(s).
        O eleitor de hoje pode até ser relapso, desatento e preguiçoso, mas com certeza não é burro para não perceber uma forçada de barra descarada, mesmo estando apoiada pela credibilidade indefectível das... "pesquisas".
          Vejam bem, não sou a favor ou contra este ou aquele candidato, mas enquanto este país for democrático me recuso a ser feito de bobo e mentalmente manipulado. 

Texto: AnalfaBlog
Comentários: AnalfaBlog

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Porto Seguro


               Estava eu revolvendo meus escritos e rascunhos antigos, quando dei de olhos numa manchete de outubro de 2009 comemorativa à passagem dos 60 anos da criação da república popular da China, com os chineses vangloriando-se de terem chegado a este nível de progresso em função da ideologia comunista/socialista. 
    Para qualquer um com o mínimo de conhecimento do que se passa no mundo, fica clara a intenção da propaganda estatal chinesa para encobrir um regime de excessão, mas ainda assim é inegável o seu desenvolvimento e potencial riqueza.
    Mudando o foco mas mantendo o assunto, a manchete acima fez-me ir além e recordar Alemanha e Japão completamente arrasados pela segunda guerra mundial que teve seu começo em 1939 e durou até 1945.
   Assim como Alemanha e Japão, toda a Europa, mesmo na condição vencedora, estava destruída fosse fisica, política ou administrativamente. 
    E isso aconteceu a meros 65 anos.
    Os EUA praticamente quebraram durante a grande recessão de 1929, levando o povo a passar fome pelas ruas, mas reergueram-se em apenas 5 anos, através de medidas conhecidas como New Deal implementadas pelo então presidente Franklin Delano Roosevelt.
    Aí surge em minha mente a pergunta que não que calar... Porque o Brasil com seus 120 anos arrasta-se em tamanho atraso?
    Aqui abre-se lacuna para divagar e filosofar durante semanas, mas parafraseando o dito popular: pra que prolongar se pode encurtar... então, o ponto a que se chega é um só:
     O elemento humano.
     Assim ve-se surgir ao final da tese, a única e inefável conclusão: 
    O problema brasileiro é na realidade a falta de qualidade humana, e não estamos nos referindo só ao povo seja ele de que classe social for, mas aos mandatários por ele escolhidos e responsáveis por gerir a nação.
    Por mais discursos irados e inflamados que façam em suas defesas, com alegações fartamente apoiadas em "estudos" ou "pesquisas" , sempre encomendados sob medida para justificar seus mandatos, polpudos de propaganda mas paupérrimos de efeito, o tempo lhes desmente e a tudo contesta com o simples demonstrar do óbvio.
    O Brasil atual é uma embarcação a deriva, com uma âncora imensa que a mantém inativa, e que se chama "Planalto". 
    Mas, ao menor sinal de agitação da população ou cobrança por parte de organismos não oficiais, eis que do alto do trono chamado praça dos 3 poderes ruge um brado invocando justiça: 
    Estou aqui pela vontade popular, aqui vim pelos braços do povo...
    Então povo, se essa foi sua vontade expressa nas urnas.
   Calem-se todos, sentem, e aproveitem mais um cruzeiro de 4 anos, rumo ao ponto de onde partiram, a bordo da náu chamada Brasil.
   
Texto: AnalfaBlog
Comentários: AnalfaBlog

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Política, enfim tudo é justificável na corrida pelo poder.


                    
 
              Enquanto passava os olhos pela lista de candidatos ao pleito de 2010 no site do TSE, alguem por puro deboche me fez recordar do Cacareco, que se elegeu vereador em São Paulo, nos idos de 1958, e de um artigo lido no jornal local que trazia a tona o rinoceronte escolhido pelos paulistanos para expressar sua insatisfação com a política, e teve ainda Tião, o macaco que arrecadou 400 mil votos na corrida pela prefeitura do Rio de Janeiro em 1988. 
                 Tento manter-me concentrado nas propostas de um ou outro candidato o qual acredito valer a pena estudar melhor sua história e projetos apresentados, mas como ficar alheio ao folclórico circo de candidatos de perfil totalmente incompatível aos cargos pretendidos, sem qualquer preparo político ou intelectual, assim como aqueles claramente "usados" pelos partidos políticos para puxar votos para a sigla.
               Nas rodas de amigos, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) perderam espaço para Tiririca, (PR) Agenor Bisteca, Mulher Pera (PTN) ou Tati Quebra-Barraco. 
              Peças como essas só a votação nominal, como a do Brasil, é capaz de produzir e conforme acredita Luíza Erundina (PSB), se a votação fosse por legendas os partidos não apostariam em celebridades para buscar votos. 
             Essas apostas são um claro sintoma de exaustão dos partidos, da falta de critérios para aceitar e lançar candidaturas, e do baixo grau de politização do eleitor em geral.  Esses siglas beneficiam-se ainda do famoso "voto de protesto" utilizado para contestar o baixo nivél dos políticos, e que no fim perpetua esse nível.
             O fenomeno dos candidatos bizarros não invalida nosso processo eleitoral, mesmo porque raros se saem bem. Eles fazem algum barulho no horário eleitoral, mas raramente capitalizam votos em número expressivo.
               O eleitorado não é estúpido, por mais que não valorize seu voto, e quando o é amarga 4 anos como castigo pelas escolhas erradas, lamentavelmente levando consigo todos aqueles que criteriosamente pensaram, escolheram e valorizaram seu voto na esperança de mudanças efetivas.
             Claro que é sempre bom ter em mente que as celebridades costumazes ou ocasionais, tem tanto direito de se candidatar quanto outra pessoa, mas mesmo que raramente sejam eleitos, quando o são tem que buscar espaço para legislar entre 513 parlamentares, geralmente bastante experientes na função e essa conquista não e´uma tarefa fácil.
              O cientista político José Paulo Martins Júnior, professor da escola da sociologia e política de São paulo, acrescenta que não é o tiririca que desmoraliza o processo eleitoral, ele já está nivelado por baixo há algum tempo.
              O que as pessoas parecem não enxergar, é que  alguns homens públicos valem-se de suas "imagens" para tentar mostrar trabalho e honestidade, todavia existe sempre alguém por baixo desta imagem construída por marqueteiros profissionais, e que  pode ser um safado.  
           Mas através do voto podemos impedi-lo de eleger-se, e fazer na vida pública o mesmo que faz na Privada.

Texto: AnalfaBlog
Comentários: AnalfaBlog