quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Consumatum est


A Vitória do Populismo Feudal!

Essa aqui foi publicada em parte por José Nêumanne... o título é meu e eu me atrevi a comentar!
A absolvição do presidente do Congresso e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), concedida por 40 votos secretos de seus pares e por mais 6 que se abstiveram - um dos quais, Aloizio Mercadante, abertamente -, contra 35 que preferiram puni-lo, produziu duas conseqüências funestas.
Mais funestas até que a permanência do réu num posto que lhe garante o comando do Poder Legislativo e o terceiro grau na escala sucessória do presidente da República. Uma delas é a possibilidade de, impulsionados pela avalanche da justa indignação nacional, os parlamentares virem a abrir quaisquer votações de que participem, a pretexto de permitir uma transparência que pode produzir, ao contrário do que imaginam os incautos, mais dependência.
A outra é uma ilusão totalitária do PT, declarada entre as resoluções de seu último encontro nacional, que não parece ter condições, felizmente, de ultrapassar o campo da mera divagação filosófica: a extinção do Senado.
Os arautos destas doces catarses têm sempre à mão flautas mágicas para o encantamento geral, mas sua melodia reproduz o silvo das ilusões institucionais mais venenosas. O voto aberto, em muitas decisões parlamentares, será a brecha para a indesejável intromissão dos poderosos de plantão. E a extinção das instituições democráticas, entre elas o Senado da República, o refrão do canto das sereias que pode fazer a nau da democracia ficar à deriva.
Mesmo sendo a maioria e tendo imposto sua vontade sobre a minoria de 35, os 46 senadores que absolveram Renan não são donos do Senado. Nem o são o presidente Lula e o PT, que capitanearam a manobra à Pôncio Pilatos da abstenção. E não o serão totalmente enquanto decisões importantes a serem tomadas no Senado e na Câmara continuarem protegidas pelo sufrágio soberano porque secreto.
Emoções produzem belos versos de canções, como a de Roberto Carlos com esse título, mas certamente não são as conselheiras adequadas na tomada de decisões que afetam o destino da Nação. Mesmo justa, a indignação pode gerar resultados opostos aos que propõe: abrir indiscriminadamente votações e fechar o Senado terminará por não servir à cidadania, mas a quem pretenda subjugá-la.
A indignação geral pode conduzir-nos para uma crise maior, totalmente desejável e compatível com pensamentos e ideologias totalitárias atualmente em vigor, mas ainda assim longe da verdade e da vontade de uma enorme e próspera nação chamada Brasil!
Fonte Estado de São Paulo - José Nêumanne.
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quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Capitão Renan, o Rei do Congresso.


Parafraseando a obra impagável que nos conta a saga de Lampião o Rei do Cangaço, dou início a mais essa verve de pensamento sobre o instante em que se encontra a nação em seu mais escabroso momento político.
Multiplos são os caminhos - e vários os descaminhos - para o ingresso na atividade parlamentar. Há rotas impensáveis, muitas delas até Satanás as desconhece. Renan Calheiros, por exemplo, ingressou no cenário político pelo tortuoso e nefasto acesso a galeria à esquerda de quem chega. Iniciante, recém chegado alistou-se onde mais se identificava: o PC do B, cujo ícone maior e ídolo social a ser seguido era o ditador Hoxha da Albânia.
Ora até as cabras alpestres que pastavam indolentes em solo Albanês sabiam que o teor do catecismo do ditador vermelho era tão raso quanto ribeira nordestina. Renan demorou muito a se descobrir filho e adorador de uma pátria de ficção. Mas o estágio nas fileiras do partido comunista ensinou-lhe uma das duas lições que carimbariam sua trajetória política: Quem bajula um Hoxha, bajula qualquer um.
Produto da primeira, a segunda lição ensinou-lhe que somente quem permanece ao lado do governo de plantão possui livre trânsito no preenchimento de cargos públicos, na liberação de verbas e no acesso as mordomias e benesses palacianas, obrigatórias a todo político obcecado pelo poder. Essa segunda lição teve seu início nos anos 80 quando eleito deputado federal, após meteórica passagem pela assmbléia de Alagoas.
O passado de guerreiro bolchevista ensinou-lhe a esperar pacientemente o fim do ciclo dos generais-presidentes. Então já nas hostes do PMDB eis que vem ao mundo o governista uterino, mas como era totalmente carente de prestígio pessoal que lhe permitisse alargar espaços no governo Sarney, fez estágio intensivo em seu estado natal, ocupando cargo de secretário da educação na nefasta gestão do trêfego governador Collor de Mello.
Enquanto era oposição, o deputado federal Renan alcunhara o então governador Fernando Collor de "principe herdeiro da corrupção". Mas o sabor do poder adoçou a verborragia do secretário de estado, que agora já ditava aos 4 ventos; " Apesar de adversários políticos no passado, sempre fomos bons amigos". E os amigos viraram mais do que isso, tornara-se comparsas. Transplantados do PMDB para uma sigla de aluguel, espécie de brincadeira marota apelidada PRN - Partido da Reconstrução Nacional - Collor e Renan aboletaram-se no palácio do planalto. Renan, líder do PRN na Câmara Baixa, defendeu com unhas e dentes o sinistro pacote de medidas econômicas inventadas pela ministra Zélia - (desculpem a lembrança) - que incluía o vergonhoso confisco do suado dinheirinho aplicado pelo trabalhador brasileiro em cadernetas de poupança. Renan, enérgico advogou o indefensável.
"Quem não entender que o Brasil mudou, perderá o bonde da história", berrava na tribuna Renan Calheiros, com aparente destemor ao escutar as farpas iradas e acerbas endereçadas aos desmandos de seus compadres do planalto. Mas esperto, ao prever o naufrágio do barco chamado governo pulou fora antes do maremoto e, expedito e desleal tratou logo de arriar seu bote em àguas mais tranqüilas.
Matreiro, assistiu covardemente ao fim da tragédia presidencial como membro da claque dos delatores, e mais: Lançou denúncias que acertaram meio mundo, salvo o vice-presidente Itamar Franco, de quem logo se acercaria.
Eleito senador em 1994, pendurou-se em uns, bajulou outros até que por fim sobrou a indicação, no governo FHC, para o Ministério da Justiça. - pronto, havia recebido a senha para o ingresso no Olimpo, a morada dos Deuses da política - . A vitória de Lula exigiu-lhe correções na arenga monocórdia para selar esse namoro. Mas enfim saiu o casório, de pura conveniência, que possibilitou-lhe alcançar a presidência da Câmara Alta.
Eis-lo envolvido, só que agora públicamente, naquilo que sempre praticou no decurso de sua carreira política.
Mas não se peocupem, nosso herói está e sempre estará ao lado do Governo, se ele qual for.