Vivo em uma cidade relativamente calma, no interior do Rs, de médio porte, com varias universidades, reconhecido esteio cultural e filosófico, e ótimo padrão de vida, mas enfim isso não é novidade no RS, já que como um todo, nosso estado é conhecido pelo nível cultural e riquezas naturais.
Mas lugar algum do Brasil hoje se encontra livre das injustiças sociais ou do paradigma criado pelo vácuo existente entre os que são muito ricos e aqueles que são muito pobres.
Os muito ricos não abrem mão de nada que possuem e lutam como leões por qualquer coisa que ainda não tenham, como se daquilo dependesse sua própria existência, e os muito pobres além de nada possuírem, não encontram forças ou apoio para lutar e mudar a situação em que estão.
Torna-se assustadora a proporção da desigualdade social neste paradoxo.
Recentemente estava retornando de carro do local onde executei um trabalho, em uma cidade vizinha, quando o semáforo ficou vermelho e assim como os outros veículos parei!
Aí aconteceu:
Tive um instante de paralisia, Fiquei congelado.
Creio que nesse momento até meu peito cessou os batimentos. Não escutava mais o rádio do carro, o barulho dos veículos em volta, a algazarra comum e costumeira que nos rodeia no trânsito.
Deus do céu!... O que é isso?... Ou, sei lá, quem é isso?... Ou...
No local onde estava à espera do sinal verde para proseguir, haviam pelo menos duas lanchonetes com aparências deliciosas e convidativas.
Se eu saisse do meu carro nesse momento, teria a minha disposição 10 a 15 opções de lanches, dos mais variados gostos e sabores
É, mas o sinal ainda estava vermelho.
A minha frente, vislumbro uma criatura, um ser humano, algo que somente com algum esforço lembraria uma pessoa.
Meu coração parou. Os carros, prédios, pessoas, ruídos sumiram todos.
Ali na esquina uma petisserie, ou padaria para os mais abastados, que sabem degustar o sabor e se entregar ao prazer de comer bem...
O tempo parou. Tudo sumiu. O escuro da tarde que terminava se fez mais negro.
Vi erguer-se da calçada uma pessoa. uma mulher.
Uma pobre criatura, ainda assim um ser humano, que não pesava mais que míseros 40 kilos.
Reparei que ela não tinha piercings ou tatuagens, e seus rasgões não eram produto da moda. Sua magreza não era a de muitas meninas modelos. Seus ossos da face teimavam em deixar a pele esticada, formando rugas e vincos.
Em seu corpo entrecortavam-se pele e ossos, que carregavam a árdua tarefa de se sustentar um no outro para conseguir produzir o prodígio de manter-se em pé como um corpo e dividir entre sí a função de agarrar-se a vida.
Ví muita coisa, do meu nascimento até a idade que possuo hoje, mas nunca tinha visto a fome em sua expressão máxima.
Aquela mulher não era um pedinte daqueles que vivem de carro em carro, ou semáforo em semáforo, ou mesmo dos que lhe cobram segurança pelo estacionamento.
Aquela mulher era uma realidade e era quase irreal, uma visão indescritível da vida e um quadro vivo do horror, era tudo aquilo que eu só havia visto em filmes.
O semáforo preparou-se para verde, e rapidamente ela não perdeu tempo.
Correu desesperada para a pick-up que estava ao meu lado, mas era tão alto aquele carro de R$300 mil, que o motorista provavelmente nem a viu.
Vi erguer-se da calçada uma pessoa. uma mulher.
Uma pobre criatura, ainda assim um ser humano, que não pesava mais que míseros 40 kilos.
Reparei que ela não tinha piercings ou tatuagens, e seus rasgões não eram produto da moda. Sua magreza não era a de muitas meninas modelos. Seus ossos da face teimavam em deixar a pele esticada, formando rugas e vincos.
Em seu corpo entrecortavam-se pele e ossos, que carregavam a árdua tarefa de se sustentar um no outro para conseguir produzir o prodígio de manter-se em pé como um corpo e dividir entre sí a função de agarrar-se a vida.
Ví muita coisa, do meu nascimento até a idade que possuo hoje, mas nunca tinha visto a fome em sua expressão máxima.
Aquela mulher não era um pedinte daqueles que vivem de carro em carro, ou semáforo em semáforo, ou mesmo dos que lhe cobram segurança pelo estacionamento.
Aquela mulher era uma realidade e era quase irreal, uma visão indescritível da vida e um quadro vivo do horror, era tudo aquilo que eu só havia visto em filmes.
O semáforo preparou-se para verde, e rapidamente ela não perdeu tempo.
Correu desesperada para a pick-up que estava ao meu lado, mas era tão alto aquele carro de R$300 mil, que o motorista provavelmente nem a viu.
Aliás, ninguém a viu.
Só eu.
Então, ela me olhou e estendeu a mão.
No meu carro, ainda com prestações a pagar, sem ação ou palavras procurei umas moedas, até mesmo porque pouco levo de valor comigo e meus cartões de crédito com certeza não teriam serventia no mundo dela.
Nada...
Deveria ter estacionado, descido, me dirigido a ela, conversado, demonstrado solidariedade. Poderia ter interpelado o cara da pick-up do lado mas com certeza iria rir de mim, é claro.
Diria, você só pode estar brincando ou então é louco.
Então, o sinal finalmente abriu, e eu parti.
E pela primeira vez, vi a face da fome.
Já presenciei por diversas vezes pessoas comendo lixo, e até mesmo escrevi algo sobre isso, mas aquela mulher me mostrou a fome em seu realismo mais cruel, sua face mais negra, sem as maquiagens das propagandas sobre miséria veiculadas pelos órgãos governamentais.
Só eu.
Então, ela me olhou e estendeu a mão.
No meu carro, ainda com prestações a pagar, sem ação ou palavras procurei umas moedas, até mesmo porque pouco levo de valor comigo e meus cartões de crédito com certeza não teriam serventia no mundo dela.
Nada...
Deveria ter estacionado, descido, me dirigido a ela, conversado, demonstrado solidariedade. Poderia ter interpelado o cara da pick-up do lado mas com certeza iria rir de mim, é claro.
Diria, você só pode estar brincando ou então é louco.
Então, o sinal finalmente abriu, e eu parti.
E pela primeira vez, vi a face da fome.
Já presenciei por diversas vezes pessoas comendo lixo, e até mesmo escrevi algo sobre isso, mas aquela mulher me mostrou a fome em seu realismo mais cruel, sua face mais negra, sem as maquiagens das propagandas sobre miséria veiculadas pelos órgãos governamentais.
Era a fome do corpo, da alma e do amor.
Era fome de vida, de uma vida no fim das forças parecendo patéticamente viver quase que por implicância, por pirraça, por puro desaforo contra o destino!
Era fome de vida, de uma vida no fim das forças parecendo patéticamente viver quase que por implicância, por pirraça, por puro desaforo contra o destino!
Vejo todos os dias carros nacionais e importados, pessoas em louca correria, muita fartura, pomposos restaurantes, bancos, e banqueiros ricos.
Mas hoje consigo vê-los como realmente são: Pobres, paupérrimos, pobres de espírito, pobres de amor, pobres humanos ricos.
Aí eu penso em alguns números que li em um blog outro dia:
Vivemos em um país que tem muitos Ministérios (Nos anos 80 eram 12, antes do PT eram...?);
Uma determinada ministra gastou mais de R$170.000,00 com despesas pessoais, uma determinada primeira dama comunista viaja e gasta como se não houvesse amanhã...
O também ministro (É secretário, mas o status é de ministro) da Secretaria Especial da Aqüicultura e Pesca (SEAP), Altemir Gregolin, está na roda dos que gastaram “demais” com o cartão corporativo;
Ou então, você consegue arrumar algum motivo para 12 deputados brasileiros irem dar um passeio cultural à Antártida?;
Você consegue pensar em algum argumento, motivo, ou justificativa lógica para Recife ganhar uma praça de R$ 18 milhões, e que leva o nome da mãe do Lula?;
Não temos dinheiro para educação, mas teremos uma Copa de Futebol em 2014;
Escolas de Samba são patrocinadas por bicheiros e traficantes, assim como o futebol;
Não existe um só brasileiro mantido preso por matar dirigindo bêbado...
Sua conciência não lhe perturba porque usa suas posses e seu conforto como um anestésico.
Mas hoje consigo vê-los como realmente são: Pobres, paupérrimos, pobres de espírito, pobres de amor, pobres humanos ricos.
Aí eu penso em alguns números que li em um blog outro dia:
Vivemos em um país que tem muitos Ministérios (Nos anos 80 eram 12, antes do PT eram...?);
Uma determinada ministra gastou mais de R$170.000,00 com despesas pessoais, uma determinada primeira dama comunista viaja e gasta como se não houvesse amanhã...
O também ministro (É secretário, mas o status é de ministro) da Secretaria Especial da Aqüicultura e Pesca (SEAP), Altemir Gregolin, está na roda dos que gastaram “demais” com o cartão corporativo;
Ou então, você consegue arrumar algum motivo para 12 deputados brasileiros irem dar um passeio cultural à Antártida?;
Você consegue pensar em algum argumento, motivo, ou justificativa lógica para Recife ganhar uma praça de R$ 18 milhões, e que leva o nome da mãe do Lula?;
Não temos dinheiro para educação, mas teremos uma Copa de Futebol em 2014;
Escolas de Samba são patrocinadas por bicheiros e traficantes, assim como o futebol;
Não existe um só brasileiro mantido preso por matar dirigindo bêbado...
Sua conciência não lhe perturba porque usa suas posses e seu conforto como um anestésico.
Em países orientais se um governante é flagrado roubando, decepam-lhe as mãos, houve um caso recente de um ministro japonês que pego em culpa, entregou imediatamente o cargo, foi pra casa e cometeu Hara-Kiri. E por aqui, na nossa amada "Terra Brasilis Impunis", eles são reconduzidos aos cargos "nos braços do povo".
Está se tornando repetitivo escrever sobre fome e miséria, mas quando deparamos com situações severas como a relatada acima, e nada fazemos tornamo-nos anuentes, mais do que isso: Coniventes!
Acordem...
Acordem, antes que seja tarde demais...
Está se tornando repetitivo escrever sobre fome e miséria, mas quando deparamos com situações severas como a relatada acima, e nada fazemos tornamo-nos anuentes, mais do que isso: Coniventes!
Acordem...
Acordem, antes que seja tarde demais...
Texto: AnalfaBlog
Comentários: AnalfaBlog




