Brasil - Retalhos do dia a dia - 2
Coletânea de observações do nosso cotidiano político.
O transatlântico Brasil segue lentamente em alto mar. Tem problemas crônicos na casa de máquinas. A capitã e sua tripulação tomam as providências: Reúnem-se para discutir a faxina no convés e a arrumação dos móveis no salão de jogos. A esquizofrenia do transatlântico chegou a um ponto quase folclórico. Nem se pode mais dizer que os problemas cruciais do país permanecem intocados por causa do conflito de interesses. Não é mais o falso debate sobre privatizações,ou tirar esta ou aquela classe do nível A para B, em que um lado fica querendo parecer mais brasileiro do que o outro empunhando falsos dogmas de patriotismo. Agora é pior, já que oposição e situação não mais se diferenciam, a paralisia está no consenso.
Por debaixo dos panos, governo e oposição estão caminhando para a costura de um acordo que acaba com o tema impeachment. Um movimento gigantesco, uma mobilização descomunal de energia e tempo para mudar a mudança, para jogar fora a arte final e consagrar o rascunho – que depois de amanhã alguém provavelmente descobrirá que não serve (tanto que já não servia) e partirá para rasurar a rasura.
Não importa discutir se é o ideal ou não que os presidentes, governadores e prefeitos possam criar acordos e regras em seus mandatos. O que importa é que o Brasil não é confiável para criar regras, porque não se acostuma a respeitá-las. Talvez o impeachment, como sonha utopicamente a imensa massa de brasileiros descontentes, seja mais problema que solução. Ou talvez seja o contrário. Quem pode afirmar categoricamente? A única certeza inquestionável é que, se o Brasil tem problemas na casa de máquinas, esse definitivamente não é o tema que vai destravá-lo, que mereça a prioridade um acordo nacional em torno do: "O que fazer se...".
É impressionante que um governo, um congresso, enfim, as instituições políticas de um país com tudo por fazer estejam mobilizadas para rasurar mais uma vez uma regra que, na perspectiva do tempo histórico, acaba de ser mexida, e que tem muito pouco a ver com o bom funcionamento da casa de máquinas, do país real.
Coletânea de observações do nosso cotidiano político.
O transatlântico Brasil segue lentamente em alto mar. Tem problemas crônicos na casa de máquinas. A capitã e sua tripulação tomam as providências: Reúnem-se para discutir a faxina no convés e a arrumação dos móveis no salão de jogos. A esquizofrenia do transatlântico chegou a um ponto quase folclórico. Nem se pode mais dizer que os problemas cruciais do país permanecem intocados por causa do conflito de interesses. Não é mais o falso debate sobre privatizações,ou tirar esta ou aquela classe do nível A para B, em que um lado fica querendo parecer mais brasileiro do que o outro empunhando falsos dogmas de patriotismo. Agora é pior, já que oposição e situação não mais se diferenciam, a paralisia está no consenso.
Por debaixo dos panos, governo e oposição estão caminhando para a costura de um acordo que acaba com o tema impeachment. Um movimento gigantesco, uma mobilização descomunal de energia e tempo para mudar a mudança, para jogar fora a arte final e consagrar o rascunho – que depois de amanhã alguém provavelmente descobrirá que não serve (tanto que já não servia) e partirá para rasurar a rasura.
Não importa discutir se é o ideal ou não que os presidentes, governadores e prefeitos possam criar acordos e regras em seus mandatos. O que importa é que o Brasil não é confiável para criar regras, porque não se acostuma a respeitá-las. Talvez o impeachment, como sonha utopicamente a imensa massa de brasileiros descontentes, seja mais problema que solução. Ou talvez seja o contrário. Quem pode afirmar categoricamente? A única certeza inquestionável é que, se o Brasil tem problemas na casa de máquinas, esse definitivamente não é o tema que vai destravá-lo, que mereça a prioridade um acordo nacional em torno do: "O que fazer se...".
É impressionante que um governo, um congresso, enfim, as instituições políticas de um país com tudo por fazer estejam mobilizadas para rasurar mais uma vez uma regra que, na perspectiva do tempo histórico, acaba de ser mexida, e que tem muito pouco a ver com o bom funcionamento da casa de máquinas, do país real.
O impeachment pode ser bom, porque a continuidade da atual administração é um prenúncio de dias negros. Se há imperfeições na forma como tem sido processado, que se busque as correções de rumo. É preciso livrar-se de uma vez por todas dessa síndrome adolescente de que avançar é criar regras novas a cada nascer do sol.
Comentários: AnalfaBlog
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