Acabou o período eleitoral, e eis em cada canto do país os novos, ou antigos, titulares do poder.
Durante todo o pleito, os políticos entraram em nossas casas, através
da mídia, e falaram sobre o futuro, sobre o que farão para melhorar
nosso dia a dia, ou o que proporcionarão para nossos idosos, nossos
filhos enfim a todos em geral.
Queremos realmente acreditar, queremos sonhar, e ver nossos sonhos
realizados. Queremos que os políticos cumpram suas promessas, mas acho
que o queremos mesmo é que cumpram só um pouco do que disseram, um
pouquinho apenas já seria o bastante.
Conhecemos as necessidades das nossas cidades, e, sem dúvida sabemos o que estamos precisando para viver melhor.
Ninguém quer aqui fazer melodrama, mas via de regra nos encontramos
sozinhos
no trânsito em meio a insegurança e o caos, enquanto "eles" desfilam
cercados de "puxa-sacos", em carros oficiais com todo o conforto e
segurança. Aguardamos horas intermináveis em postos de saúde ou
pronto-socorros, enquanto nossos escolhidos possuem a regalia de
atendimento especial em planos de saúde com quartos privativos, sem
qualquer custo para seus já muito bem remunerados bolsos, visto que nós
pagamos a conta, e isso tudo sem falar em educação, cultura, saneamento,
transporte, ruas, e tudo o mais que diz respeito diretamente ao lugar
em que moramos.
Não estou dizendo com isso que nossos políticos não devem desfrutar das mordomias que o cargo lhes confere,
mas o tempo e as sucessivas eleições que passaram deixaram claro que
logo após a vitória, e consequentemente a posse dos almejados cargos, o
discurso muda e as prioridades já não são tão voltadas para povo, que
por direito deveria ser o alvo e o objetivo maior de todas as ações do
poder.
Eis aí o cerne do problema, o poder.
Na política via de regra o poder corrompe e faz esquecer promessas e
responsabilidades assumidas, tornando homens que no auge de suas
campanhas diziam-se limpos e justos, em sujeitos sem caráter, sem
palavra, sem dignidade.
Mas, sinto a esta altura, a necessidade de fazer um "mea culpa" por não
conseguir livrar-me do sentimento de que essas pessoas, que agem assim,
sequer são culpadas de seus atos, sendo o povo - e aqui me incluo - o
maior responsável por existirem políticos sem ética e honra.
A pergunta que me faço a cada pleito eleitoral é: Porque não analisar
quem está se oferecendo para elegermos? Quem são realmente essas
pessoas por detrás da propaganda elaborada por marqueteiros
profissionais? O que já fizeram? Como viveram suas vidas até hoje? Se
é que trabalham, em que trabalham? E suas relações familiares? Na
verdade, o que fizeram até hoje para que sejam reconhecidos como pessoas
aptas a governar nossas cidades e nossas vidas?
Nada pode ser cobrado à ninguém se fizermos as escolhas erradas.
Teremos sempre o saldo da decepção como companheira e da culpa como castigo, tudo por não sabermos votar.
É preciso recordar que a seriedade, a honra e a ética na vida
particular de cada um não pode ser diferente dos mesmos valores na vida
política, pois seria muita ingenuidade achar que alguém com passado
turvo e ações duvidosas iria tornar-se honrado e justo, por um passe de
mágica, apenas por assumir determinado cargo político. Como diz o ditado
popular, seria deixar o ladrão tomando conta do cofre.
Quando soubermos escolher melhores pessoas, teremos melhores políticos,
e aí, somente aí, talvez possamos dar adeus aos Mensalões, Petrolões, Cachoeiras,
Santanas, Dirceus, Delúbios, Malufs, Moluscos e Antas, enfim, a nível de Brasil a lista é imensa.
Texo: AnalfaBlog
Comentários: AnalfaBlog

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