domingo, 15 de maio de 2016

A delação premiada é ética?


      A delação premiada é ética? É justa? Quando ponho-me a pensar sobre esta nova ferramenta à disposição da justiça, logo vem a mente um sombrio personagem bíblico: Judas Iscariótes, que delatou seu mestre, Jesus, em troca de 30 moedas. E ninguém haverá de dizer que Judas é um exemplo a ser seguido pela justiça dos homens. 
        Poucas atitudes nos causam mais revolta do que aquela em que alguém, em troca de vantagens pessoais, joga seus companheiros na fogueira, ou na cruz. 
       Sob qualquer ótica que se examine, o delator é sempre um dedo-duro, um pária. Mesmo assim, a moderna delação premiada é justificável, se corretamente empregada, pois quebra a falsa "ética do crime", que se resume numa lealdade quase irracional entre bandidos. 
        Essa lealdade ética - sem qualquer ética - é baseada no medo e não na virtude. Criminosos não delatam por possuírem valores como amizade ou sólido companheirismo e sim por medo de consequências que podem chegar à morte. Nesse quadro, reina a "delação premiada", conseguindo dissolver essa ética do crime por meio da oferta do "menos pior". 
        Se o Corrupto "leal" só e leal porque tem medo, nada mais ético do que leva-lo a cooperar com a justiça por meio de uma motivação tão mesquinha quanto o medo: o interesse de ter a pena abrandada. 
      Apenas temos que ter o bom senso de não compararmos os atuais delatores a Judas Iscariotes. Digo isso por dois bons motivos: Primeiro porque a delação de Judas foi feita as tropas Romanas, invasoras, estrangeiras e opressoras de Jerusalém, o que não é o atual caso. O segundo motivo é o nome do Delatado. Os acusados pela Lava-Jato, podem ser corruptos, bandidos ou apenas suspeitos, mas não são iguais a Jesus Cristo.

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