Vejamos: Quem advinha o nome desse pais?
Um país politicamente tenso. Parlamentares divididos entre o apoio incondicional e a revolta latente contra um governo que muitos consideram populista, corrupto, espúrio e incapaz de manter as conquistas recentes da nação.
Um governante que perde a popularidade entre os mais pobres, enquanto é sustentado pelos mais ricos que dele dependem. Uma população volúvel, cuja opinião flutua ao sabor do discurso do orador mais sedutor.
Uma liderança despótica, desgastada e isolada no segundo ano de governo, contra quem mesmo antigos apoiadores incondicionais já conspiram nos bastidores. Um personagem que ouve apenas bajuladores, não tolera má notícia nem contestação, mas ainda resiste, em nome da república, a ceder à última tentação autoritária. Evidente de que país se trata, certo?
Se respondeu Brasil, errou... Trata-se de Roma, março de 44 a.C., últimos dias do governo de Júlio César, de Willian Shakespeare.
Se respondeu Brasil, errou... Trata-se de Roma, março de 44 a.C., últimos dias do governo de Júlio César, de Willian Shakespeare.
Shakespeare escreveu a peça entre 1598 e 1599 com base em suas leituras dos historiadores romanos Plutarco e Suetônio, e impressiona-nos com por revelar a alma humana na sua busca trágica pelo poder a qualquer custo.
A tragédia começa com aquele ingrediente indispensável à política: Conspiração, tendo como personagens Marco Antônio, Octávio, Cássio e Brutus, e culmina, como todos sabemos com a morte de César.
Mas o que a torna uma peça política, como o foram as centúrias de Nostradamus, e profeticamente atual, é o momento em que Cássio diante do cadáver de César pronuncia alguns dos versos de Shakespeare: /Quantas épocas por vir/Será esta nossa cena de novo encenada/em estados ainda não nascidos e sotaques desconhecidos?/.
Pouco (se é que algo) mudou na política desde então. O sucesso de quem ambicionou o poder e hoje o detém, leva a pretensão divina, ao totalitarismo e finalmente à tragédia.
Isso nos faz voltar ao início do artigo, e, se agora ao relermos o texto substituirmos Roma por um país tupiniquim de codinome Brasil, atualizaremos Shakespeare para o século 21 sem prejuízo de conteúdo.

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