
A Vitória do Populismo Feudal!
Essa aqui foi publicada em parte por José Nêumanne... o título é meu e eu me atrevi a comentar!
A absolvição do presidente do Congresso e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), concedida por 40 votos secretos de seus pares e por mais 6 que se abstiveram - um dos quais, Aloizio Mercadante, abertamente -, contra 35 que preferiram puni-lo, produziu duas conseqüências funestas.
A absolvição do presidente do Congresso e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), concedida por 40 votos secretos de seus pares e por mais 6 que se abstiveram - um dos quais, Aloizio Mercadante, abertamente -, contra 35 que preferiram puni-lo, produziu duas conseqüências funestas.
Mais funestas até que a permanência do réu num posto que lhe garante o comando do Poder Legislativo e o terceiro grau na escala sucessória do presidente da República. Uma delas é a possibilidade de, impulsionados pela avalanche da justa indignação nacional, os parlamentares virem a abrir quaisquer votações de que participem, a pretexto de permitir uma transparência que pode produzir, ao contrário do que imaginam os incautos, mais dependência.
A outra é uma ilusão totalitária do PT, declarada entre as resoluções de seu último encontro nacional, que não parece ter condições, felizmente, de ultrapassar o campo da mera divagação filosófica: a extinção do Senado.
Os arautos destas doces catarses têm sempre à mão flautas mágicas para o encantamento geral, mas sua melodia reproduz o silvo das ilusões institucionais mais venenosas. O voto aberto, em muitas decisões parlamentares, será a brecha para a indesejável intromissão dos poderosos de plantão. E a extinção das instituições democráticas, entre elas o Senado da República, o refrão do canto das sereias que pode fazer a nau da democracia ficar à deriva.
Mesmo sendo a maioria e tendo imposto sua vontade sobre a minoria de 35, os 46 senadores que absolveram Renan não são donos do Senado. Nem o são o presidente Lula e o PT, que capitanearam a manobra à Pôncio Pilatos da abstenção. E não o serão totalmente enquanto decisões importantes a serem tomadas no Senado e na Câmara continuarem protegidas pelo sufrágio soberano porque secreto.
Emoções produzem belos versos de canções, como a de Roberto Carlos com esse título, mas certamente não são as conselheiras adequadas na tomada de decisões que afetam o destino da Nação. Mesmo justa, a indignação pode gerar resultados opostos aos que propõe: abrir indiscriminadamente votações e fechar o Senado terminará por não servir à cidadania, mas a quem pretenda subjugá-la.
A indignação geral pode conduzir-nos para uma crise maior, totalmente desejável e compatível com pensamentos e ideologias totalitárias atualmente em vigor, mas ainda assim longe da verdade e da vontade de uma enorme e próspera nação chamada Brasil!
Fonte Estado de São Paulo - José Nêumanne.
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