domingo, 1 de julho de 2007

Enganando nóis!



Conselho de Ética prepara 'fraude política'

Adiar a votação do relatório de Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que pede o arquivamento do processo por quebra de decoro parlamentar do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi mais uma tentativa de "prorrogar o caminho da absolvição". Quem defende a teoria é a deputada Lucian Genro (PSOL-RS), membro da Executiva Nacional do partido que entrou com a representação contra Renan.
Para a deputada, o Conselho de Ética do Senado - de que ela diz não esperar muita coisa - está preparando uma "fraude política":
- Eu acho que (o adiamento da votação) é mais uma tentativa de encontrar meios para absolvê-lo sem ficar tão evidente essa fraude política que o Conselho de Ética está preparando - diz.
Ela defende ainda que os senadores deveriam fazer o trabalho a que jornalistas se propuseram: destrinchar os documentos apresentados pelo senador alagoano. Graças a uma reportagem da TV Globo, na semana passada, houve uma reviravolta que levou a votação no Conselho de Ética para a próxima terça-feira. A reportagem mostrou que os açougues que constavam nos recibos de venda de gado da fazenda de Renan Calheiros não compraram bois do senador.
Hoje o Conselho de Ética ouve o lobista Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Jr., acusado de pagar despesas pessoais do presidente do Senado, e o advogado da jornalista Mônica Veloso, Pedro Calmon. Mas a deputada Luciana Genro acha que a mãe da filha de Renan - que supostamente recebeu os pagamentos -, também deveria ser convocada:
- Eu acho que o Conselho de Ética tinha que fazer diligências muito mais profundas do que simplesmente ouvir só o Gontijo. Porque é óbvio que ele vai tentar justificar o Renan e apoiá-lo nas suas mentiras.
Leia a íntegra da entrevista com a deputada do PSOL:

O caso Renan Calheiros já está cheirando a pizza saindo do forno do Conselho de Ética?

Luciana Genro - Graças à representaçÃo do PSOL, a pizza não está se transformando num grande pastelão. Porque o que estava se tentando ali era quase um pastelão, mais do que uma pizza. Com um relator que já tinha anunciado a decisão de absolver (o senador) antes de olhar qualquer documento. E felizmente surgiram, através da televisão, evidências claras de que aqueles documentos (apresentados pelo senador) não comprovam nada. Pelo menos os jornalistas se deram ao trabalho de pesquisar e viram que eram fraudadas aquelas justificativas de recursos. Mas eu acho que ainda não está nada garantido, não. Eu acho que a intenção de absolver permanece, só que está ficando mais difícil.

O adiamento da votação do relatório para essa semana ajudou ou só prorrogou a vinda do "pastelão"?

Eu acho que é mais uma tentativa de encontrar meios para absolvê-lo sem ficar tão evidente essa fraude política que o Conselho de Ética está preparando. E eu espero que eles não consigam achar o caminho e que sejam obrigados a fazer uma análise verdadeira da representação. Mas o adiamento é mais uma tentativa de encontrar o caminho da absolvição.

O Conselho de Ética ouve hoje o lobista Cláudio Gontijo, da Mendes Jr. Seria necessário ouvir também a jornalista Mônica Veloso?

Eu acho que tem que ouvi-la também e fazer uma análise muito mais cuidadosa e uma investigação real daqueles documentos que ele alega justificarem os recursos. Porque os indícios que apareceram a partir das investigações jornalísticas mostram que é um fraude aquilo tudo. Que aqueles açougues não compraram boi nenhum dele, que o preço que ele estaria vendendo o boi está superfaturado. Eu acho que o Conselho de Ética tinha que fazer diligências muito mais profundas do que simplesmente ouvir só o Gontijo. Porque é óbvio que ele vai tentar justificar o Renan e apoiá-lo nas suas mentiras.

E qual é a punição que o PSOL espera?

Olha, eu não espero muita coisa do Conselho de Ética, viu? Agora, o certo era, em primeiro lugar, afastá-lo da presidência do Senado e abrir um processo que poderia culminar na cassação. Se ele realmente fraudou os documentos, se ele realmente utilizou recursos da Mendes Jr. para pagar despesas pessoais, eu acho que o caminho seria a cassação.

É nescessário dizer algo mais? - Parem esse país que eu quero descer...

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